terça-feira, 16 de agosto de 2011

MANOEL LOURENÇO MOTTA DO AMARAL

Manoel Lourenço Motta do Amaral nasceu em Carvalhos em 11 de janeiro de  1938. Filho de Manoel Antunes do Amaral e Geralda Motta Amaral. Era o mais velho de uma família de 10 irmãos.

Fez os três anos primários nas Escolas Combinadas em Carvalhos, durante os anos de 1945 a 1948. Como aqui em Carvalhos, naquela época, só cursava até o terceiro ano primário, foi concluir o curso no Instituto Paroquial São Sebastião em Cruzília, no ano de 1949. Para lá ele foi em regime de internato com apenas 11 anos de idade.

De Cruzília foi para Itanhandu, fazer o curso ginasial no Colégio Sul-Mineiro, durante os anos de 1950 a 1954. Terminando o curso ginasial foi para Lavras, estudar o segundo  grau, ou seja, o curso científico, no Instituto Gammon e no Colégio Nossa Senhora Aparecida, nos anos de 1955 e 1956.

Não terminou o curso em Lavras, foi terminá-lo no Rio de Janeiro, no colégio Marcílio Dias, no ano de 1958. No Rio poderia estudar e trabalhar.

Em 1959 começou na batalha na faculdade, queria fazer medicina. Foi um grande erro de sua vida, pois mais tarde chegou à conclusão de que se chegasse a formar seria um péssimo médico. Trabalhando no Banco Nacional e sempre estudando, entrou para faculdade de história. Aí se realizou plenamente.

Empolgou com a faculdade, envolveu com os Grêmios Estudantis, com a UNE e outros movimentos político-estudantis. Até que em 1964, época da ditadura militar, no apogeu de seu trabalho como bancário, foi expulso da faculdade e perdeu o emprego no banco. Saiu do Rio de Janeiro com a roupa do corpo e alguns livros que ficaram até bem pouco tempo escondidos no forro da casa por serem considerados subversivos.

Em 1965 volta para Carvalhos e, sem emprego, resolveu ser professor de história no antigo ginásio, hoje Escola Estadual Ana Dantas Motta. Para ser professor, ele sabia a matéria, mas não tinha diplomas, então fez o curso da CADES em Três Corações e mais tarde a faculdade de História do Instituto Superior  de Ciências, Letras e Artes de Três Corações.

Além de Professor, Lourenço foi Diretor do Ginásio por 8 anos. Morreu dizendo que havia de arrependido de ter ficado tanto tempo como diretor, pois na escola o bom mesmo é ser professor.

Ele trabalhou também para a criação do Dia da Cidade "12 de Outubro" juntamente com o Pe. José Ferreira Leite e com o Presidente da Câmara Municipal Sócrates da Silva Varginha.

Outra de suas paixões era a política. Não importava quem ganhasse. O importante era a eleição. Vibrava em ficar no Fórum de Aiuruoca e ver voto por voto cair na apuração. Certa vez resolveu se candidatar a vereador. Teve a maior decepção, pois todos diziam que votavam e na hora achavam que ele estava eleito e votavam em outro.

Conheceu o Município todo pedindo votos para seus amigos deputados estaduais e federais. Quando perdeu a vista nunca deixou de votar, fazia questão de ir as urnas.

Lourenço gostava de trabalhar com os papéis das terras e gado do pessoal da área rural, esse serviço ele fez até o dia de sua morte.

Manoel Lourenço Motta do Amaral faleceu em 04 de março de 1995, sem ter presenciado o lançamento de seu tão idealizado livro. Ele foi casado com a professora Maria José, e teve dois filhos, os professores Ludvick e Ludmila.

Você pode encontrar a biografia completa do professor e historiador Manoel Lourenço Motta do Amaral no livro "Raízes de Carvalhos".

UM POUCO DA HISTÓRIA DE CARVALHOS

Em 1710 e 1711 forças francesas comandadas por Duclere e Duguay-trouin, respectivamente, invadiram o Rio de Janeiro, com a finalidade de apoderar-se do ouro vindo de Minas Gerais. Expulsas de lá, alguns elementos voltaram para a Europa e outros embrenhara-se pelos sertões, atravessando a Serra da Mantiqueira, atingindo o Vale do Alto Rio Grande. Um núcleo desses estrangeiros estabeleceu-se em um dos seus ribeirões para extrair ouro, este recebeu o nome de "Ribeirão do Francês" e ali os franceses instalaram uma roda d´agua apropriada para extração do ouro, onde se radicaram. Por isso o núcleo recebeu o nome de Franceses da Roda.

Em 03 de fevereiro de 1744 o Governador da Capitania do Rio de Janeiro e das Minas Gerais, D. José Antônio Gomes Freire de Andrade, Conde da Bobadela, concedeu uma carta de Sesmaria ao Capitão da Cavalaria Antônio Corrêa de Lacerda, que morava no sertão da Freguesia da Jaroaca (atual Aiuruoca) na Comarca do Rio das Mortes (atual São João Del Rei).

Sabe-se que foram feitas roças nas paragens denominadas "Três Irmãos" (atual bairro de Carvalhos). Havia escravos nas terras e que o referido Capitão construiu ali uma casa de moradia, ainda hoje existente.

Também, neste final de século XVIII, uma senhora de nome Maria Joaquina Mendes de Carvalho era dona de uma fazenda. Esta senhora, católica praticante, doa um canto de sua fazenda  ao "Patrimônio de Nossa Senhora da Conceição Aparecida" com a condição de neles se construir uma capela.

Doada a gleba, faltava a mão do artífice para edificar o templo. Esta dependência vai perdurar até a metade do século XIX, quando se estabelece nas proximidades da futura capela, ou seja, nas terras do "Patrimônio", uma família humilde vinda de Pouso Alto. Era a família Carvalho que chegava.

Após algum tempo começa o movimento para elevar Carvalhos a Distrito. Criá-lo era difícil. Aí aparece o jeitinho brasileiro: simplesmente transfere-se o Distrito da Guapiara para junto à estação ferroviária, que era exatamente no lugar onde existia a Capela de Nossa Senhora Aparecida nos Carvalhos.

Após mais algum tempo, estava em discussão na Assembléia Legislativa a emacipação de 74 distritos, entre eles o de Carvalhos. Era uma reunião noturna, dia 22 de novembro de 1948, artigo número 3, projeto 725. Assim foi aprovada a elevação de Carvalhos a município, após uma questão de ordem do Deputado Guilhermino de Oliveira com colaboração de Geraldo Starling Soares e Waldir Lisboa.

A íntegra sobre a apaixonante história de Carvalhos é encontrada no livro "Raízes de Carvalhos", de Manoel Lourenço Motta Amaral.

LIVRO RAÍZES DE CARVALHOS

A ideia de se escrever sobre "Raízes de Carvalhos" começou na minha juventude. Aos 14 anos iniciei minhas pesquisas sobre nossa terra, partindo do ponto zero, já que ninguém havia preocupado antes com isto. Mais tarde passei a contar com a colaboração de minha filha Ludmila e juntos continuamos a trabalhar.

Hoje, apresentamos este apanhado, fruto de 43 anos de pesquisas. Não temos nenhuma pretensão literária e este não é um trabalhos acabado. Nós somente começamos a desvendar a história de nossa terra. O caminho está aberto para outros desta geração e outras futuras gerações. Esta é a minha versão dos fatos que pode não ser a sua.

Este livro é dedicado aos carvalhenses, não só aqueles de nascimento como também os de adoção.

Espero não decepcioná-los.
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